Obassy

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OBASSYOBASSY
Nasceu em 1937 como Celina Vieira. Seu pai era de Santa Luzia de Carangola, e sua mãe de Laranjal, Minas Gerais. Nasceu por lá, porém com mais tempo de Rio de Janeiro – veio para cá ainda menina – se diz carioca, com toda a propriedade e mérito.ua mãe veio par ao Rio primeiro para juntar-se a avó, seu pai veio em 1938 com as quatro filhas mulheres e um garoto. Obassy, era a caçula, porém não viu regalias nisto: “perdi minha mãe com 10 anos, isso foi muito ruim”. Quem tomou sua guarda foram as irmãs, que faleceram : ” Sabe como é , uma família de cardíacos”.

Aos 14 anos foi trabalhar na casa de família em que sua mãe trabalhou durante 19 anos. Ficou neste emprego dos 14 aos 23 anos, quando saiu para se casar.

Ganhou a partir da religião o nome de Obassy, por ser filha de Obá, (segundo ela a terceira mulher de Xangô – a primeira foi Oxum, a Segunda Yansã, depois Obá ). Em memória de sua mãe, que era da Umbanda, cuida de seu preto velho e sua cabocla. Mas é enfática ao dizer que o Candomblé a libertou: “O candomblé me deu a libertação, eu era tímida e depois que me inicie avancei muito, fiz lutar pelo que eu desejava, agora eu vou à luta, eu sou liberta até demais”. Porém diz que sua vida só começou aos 42 anos, quando se separou do marido de quem não gosta de falar nem sequer o nome: “a vida com ele foi de muita luta, muito sacrifício, correndo das enchentes até que consegui o meu pedacinho de céu na Cidade de Deus”.Desta união ganhou quatro filhas, das quais se orgulha e abre um sorriso enorme para falar delas e da quinta adotiva. A partir de então começou a trabalhar como funcionária pública municipal. E conheceu um grande amigo, presidente da Escola de Samba Unidos de Rocha Miranda, que a convidou para presidenta da ala das baianas. A partir daí descobriu-se poetisa e sambista. Participou de vários concursos para a escolha de samba enredo como compositora, porém vê nas escolas de samba um universo bastante limitado e restrito aos novos compositores, principalmente às mulheres.Obassy, diz que sua inspiração vem nos momentos de tristeza, e também da função – merendeira – quando, muitas vezes, largava as panelas para rascunhar uma nova composição. Todos os anos, no dia 1 de maio, participa do festival do Trabalhador, na comunidade Shangri-lá em Jacarepaguá. Seu tema predileto é o afro, o samba é “sua cachaça”. Há três anos fez o samba sobre o enredo A paz é possível, que ficou entre os quatro finalistas da Escola Mocidade Unida de Jacarepaguá. A letra compôs a monografia de uma de suas filhas, a única com nível superior na família – formada em assistente social pela PUC/ RJ, foi a primeira aluna negra do movimento de pré vestibulares populares a ingressar na universidade.Seu “pedacinho de céu” fica na Cidade de Deus, na Rua Salatiel 17, onde ainda faz o seu Candomblé e toca para Preto Velho e Exú.

Fonte:
Entrevista realizada com a própria Obassy , em 11 de agosto de 2004.
Ver mais:
Revista Criativa de maio de 2004.
Jornal do brasil de 3 de março de 2004 – Caderno Cidade