Ruth de Souza

Natural do Rio de Janeiro, a menina Ruth Pinto de Souza viveu até os 9 anos de idade com a família, numa fazenda, em Porto do Marinho, pequena cidade do interior de Minas Gerais. Com a morte do pai, um pequeno lavrador, ela, os três irmãos, e a mãe voltaram ao Rio, e foram morar em Copacabana, numa vila onde residiam as lavadeiras e seus maridos, a maioria deles jardineiros dos casarões do bairro.

As primeiras palavras, bem como o incentivo para estudar teatro veio de sua mãe, que a levou para as primeiras sessões de teatro e cinema.Depois de alguns anos no colégio interno – onde as freiras puniam a menina alegre que cantarolava músicas de Carnaval , a jovem atriz ingressou no Teatro Experimental do Negro -TEN, aos 17 anos, sob os cuidados do escritor, dramaturgo, ator, e ex senador Abdias Nascimento. “Ele criou o TEN, em 1945, com o Agnaldo Camargo, para mostrar que o negro poderia ser ator aqui no Brasil, numa época em que existia apenas o Grande Otelo”, conta.Com a peça O Imperador Jones, encenada pelo TEN, Ruth de Souza foi a primeira atriz negra a pisar no palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.O TEN abriu as portas do mercado de trabalho para os artistas negros. O Teatro dos Comediantes uniu-se ao grupo de Abdias Nascimento e, juntos, montaram Terra do Sem Fim, de Jorge Amado. Em seguida, a companhia cinematográfica Atlântida resolveu fazer a adaptação do texto para o cinema e Ruth de Souza, de novo, foi escalada para o elenco. “Jorge Amado me indicou para que fizesse no filme o mesmo papel que interpretei no teatro”,diz.Ruth de Souza, com cinco anos de carreira, conseguiu uma bolsa de estudos da Fundação Rocckefeller, fez as malas e viajou para os Estados Unidos para estudar teatro, . Lá, além de dramaturgia, aprendeu iluminação, sonoplastia, direção e cenografia. Assinou trabalhos como diretora em Pork and Bess e Shadows of a Gunman, peças em que trabalhou na época. “Também conheci a Broadway e seus atores.Fez também um mês de estágio na Howard University, em Washington, indo após para Nova York, onde ficou dois meses na Academia Nacional do teatro Americano. De volta ao Brasil, recomeçou uma sucessão de trabalhos no cinema, no teatro e na televisão. Entre as dezenas de filmes que fez estão Fronteiras do Inferno, Jubiabá, Assalto ao Trem Pagador, Boca de Ouro. Nos palcos, trabalhou em vários espetáculos, como Todos os Filhos de Deus Têm Asas, Vestido de Noiva, Quarto de Despejo, Réquiem para uma Negra, Zumbi e, mais recentemente, em Orfeu da Conceição, com direção de Haroldo Costa.Estreou na TV em 1952, na TV Tupi, com o teleteatro O filho Pródigo. Porém, o sucesso na televisão começou em 1965, com A cabana do Pai Tomás, na extinta TV Excelsior. Três anos mais tarde, ao ingressar na TV Globo, Ruth de Souza atuou em novelas como Passos dos Ventos, Verão Vermelho, A Deusa Vencida, O Bem Amado, Ossos do Barão, O Rebu, O Grito, Corpo a Corpo, Mandala, entre outras, além de seriados e minisséries.A Cabana do Pai Tomás foi marcante na história da televisão por um motivo polêmico. Sérgio Cardoso, o ator principal, recebeu muitas críticas ao fazer o personagem central pintado com tinta preta. “O TEN já havia acabado com o ‘hábito’ dos grupos de teatro de se utilizarem desse tipo de pintura, grotesca e caricatural. Em 8 de abril de 1988, recebeu, em Brasília, a comenda do Grau de Oficial da Ordem do Rio Branco da República Federativa do Brasil, por sua contribuição às artes Cênicas brasileiras. Em 1999, recebeu o Prêmio Ministério da Cultura.

Fonte:
Dicionário Mulheres do Brasil – De 1500 até a atualidade biográfico e ilustrado. Jorge Zahar Editor, 2000.

www2.uol.com.br/simbolo/raca/0698/comp_.htm

www.doctordata.com.br/satedrj/ruth_de_souza.htm

www.portalafro.com.br/ruth.htm