Rosa Maria Egipcíaca da Vera Cruz

Ao ser presa pela Inquisição em Lisboa, acusada de feitiçaria, Rosa afirmou que era natural da Costa da Mina (África), da nação Courana, e que foi para o Rio de Janeiro aos 6 anos de idade (1725), sendo comprada pelo Sr. Azevedo, que a mandou batizar e, aos 14 anos, a deflorou, vendendo-a para as Minas Gerais.

Na Vila da Inconfidência foi escrava da mãe de Frei Santa Rita Durão, para quem trabalhava como meretriz até o dia em que “teve o espirito maligno, o qual a molestava muito, até que o Padre Gonçalves Lopes fez com os seus exorcismo que declarasse o tal espirito”. Quando possuída, Rosa entrava em transe nas igrejas, caindo desmaiada no chão. O bispo de Mariana mandou uma equipe de teólogos examiná-la para constatar se era demoníaca ou embusteira: como castigo por seu comportamento herético foi açoitada em praça pública, ficando paralítica de um braço. Acreditando na sua sinceridade, o padre exorcista deu-lhe alforria e levou Rosa para o Rio de Janeiro.

Em 1754 fundaram o Recolhimento de Nossa Senhora do Parto, reunindo ali uma dezena de donzelas pobres, mais da metade negras. Sob a orientação dos Franciscanos, Rosa aprendeu a ler e iniciou o livro Sagrada Teologia de Amor de Deus Luz Brilhantes das Almas Peregrinas, no qual registra suas visões e experiências místicas. O recolhimento passou a ser local de romaria onde os devotos iam buscar relíquias da regiosa negra.

Por “imposição divina”, Rosa a ser chamada Rosa Maria Egipcíaca da Vera Cruz em homenagem a uma Santa oriental que de prostituta se transformara em eremita. Presa pelo Bispo do Rio de Janeiro, como suspeita na fé e feitiçaria, foi juntamente com seu confessor enviada para julgamento em Lisboa. Confessou várias vezes todas as visões e êxtases. Deve ter morrido antes da sentença final, pois seu processo não foi concluído.