Carolina de Jesus

Carolina Maria de Jesus nasceu em 1914, na cidade de Sacramento, interior de Minas Gerais.
Em uma família de 8 irmãos, parou os estudos no segundo ano do ensino fundamental para trabalhar na plantação junto com sua mãe.
Na adolescência mudou-se para o interior de São Paulo, onde trabalhou como empregada doméstica. Em 1947 mudou-se para a capital, onde foi empregada doméstica, auxiliar de enfermagem e até artista de circo.

Em 1948, grávida de seu primeiro filho, e desempregada, foi morar na favela do Canindé, às margens do rio Tietê, onde passou a viver como catadora de papel.Em 1955, começou a escrever um diário, onde anotava sua experiência de vida. Em 1958, o repórter Audálio Dantas, do Jornal Diário de São Paulo, esteve nas proximidades da favela para cobrir uma briga entre moradores. Ali, soube da existência de uma moça que anotava , num diário, suas reflexões sobre a vida. Carolina lhe apresentou aos textos, os quais examinou com muita atenção, e sem autorização da autora, Audálio, publicou trechos do diário no Jornal Folha da Noite.O documento publicado, chamou a atenção dos leitores e da mídia da época. E após uma revisão feita pelo próprio Audálio, o documento foi publicado em formato de livro, pela Livraria Francisco Alves, com o nome de Quarto de Despejo. Seis meses após a publicação o livro teve 90 mil exemplares vendidos. Prefaciado por Alberto Morávia, escrito italiano, o livro foi publicado em 13 idiomas, e em 40 países diferentes, o que propiciou que Carolina deixasse a favela para comprar uma casa de Alvenaria no Bairro Santana. Lá , recebeu o assédio da imprensa, e também o preconceito dos vizinhos da classe média paulista.Enquanto isso, seu livro era comentado pela imprensa internacional, tendo várias de sua páginas transcritas para a revista americana Life e a francesa Paris-Match.Em novembro de 1961 teve seu segundo livro editado – Casa de Alvenaria: diário de uma ex favelada, que infelizmente não alcançou o sucesso do primeiro, também neste ano Quarto de Despejo foi adaptado para o teatro por Edi Lima e encenado no Teatro Nídia Lícia.

Em 1969, por sua conta, editou um livro de provérbios – Quem foi que disse. Em meio ao preconceito que sofria no bairro Santana, mudou-se para uma chácara na periferia da cidade, onde permaneceu escrevendo.

Na década de 70, sofreu com o esquecimento dos leitores e da imprensa, porém em 1976, o livro Quarto de Despejo ganhou uma nova edição que trouxe a escritora de novo à atenção do público leitor
Carolina Maria de Jesus faleceu em 13 de fevereiro de 1977.
Em 1986 foi lançado uma edição póstuma de um texto seu chamado Diário de Bitita.

Fonte:
Cadernos de formação do MNU – Movimento negro Unificado.
Dicionário Mulheres do Brasil – de 1500 até a atualidade, organizado por: Schuma Schumaher e Érico Vital Brazil – Jorge Zahar editor, RJ, 2000.