Lélia González

Nasceu em Minas Gerais, filha de pai negro e mãe índia, era a caçula de 13 irmãos. Lélia Gonzalez, militante constante da causa da mulher e do negro, em todos os espaços que atuou, se fez digna representante.

Era graduada em história e filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, UERJ e Doutorada em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo, USP. Soube usar o espaço acadêmico para desenvolver pesquisas temáticas relacionadas à mulher e ao negro. Foi professora de várias Universidades e Escolas importantes e o seu último cargo acadêmico foi o de Diretora do Departamento de Sociologia e Política da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC.Na vida política se destacou como participante da fundação do Movimento Negro Unificado (MNU), anos 70, do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN), anos 70, do Coletivo de Mulheres Negras N´Zinga, foi membro do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Participou ativamente de inúmeros congressos internacionais sobre condição Atuou também em partidos políticos como primeira suplente de Deputado Federal, pelo PT em 1982 e suplente de Deputado Estadual pelo PDT, em 1986.Incentivadora ardorosa das manifestações culturais de raízes negras, participou de carnavais do Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo. Ajudou a fundar o OLODUM, bloco Afro de Salvador, com quem mantinha intercâmbio constante. Várias vezes fez parte do corpo de jurados das escolas de samba e era torcedora fervorosa do futebol brasileiro. Lélia Gonzalez, acadêmica, uma das fundadoras do Colégio Freudiano de Psicanálise, entendia o futebol como cultura, não distanciando pois do cotidiano do povo.

Deixou além de obras coletivas, teses e muitas anotações, os livros; Lugar de Negro, com autoria de Carlos Hasenbalg e Festa Populares no Brasil. Em seu último trabalho, Lélia de Almeida Gonzalez refletia sobre a especialidade dos Negros da diáspora, condição que ela adotou o nome de Amefricanidade.