Mãe Menininha do Gantois

Maria da Conceição Nazaré assumiu o posto de Ialorixá, em 1922, sob o reino de Oxum, com o nome de Mãe Menininha do Gantois. Tinha então 28 anos de idade. Nascida em 10 de fevereiro de 1894, na cidade de Salvador, Mãe Menininha descendia de sua avó, Maria Júlia da Conceição, iniciada na Barroquinha, primeiro candomblé da Bahia, foi a fundadora do Gamtois, no início do século.

Mãe Menininha foi feita aos 8 anos de idade por sua tia e madrinha, a mãe-de-santo Pulquéria da Conceição Nazaré, que a apelidou de “Menininha”. Com a morte repentina de sua mãe carnal, Maria dos Prazeres Nazaré, que era a filha-de santo escolhida para suceder Pulquéria, deu-se início a novo processo de sucessão, tendo sido Menininha escolhida mãe-de-santo pelos orixás que lhe deram posse: Oxóssi (deus da caça e rei de ketu), Xangô (deus do fogo e rei do Oyó), Oxum (rainha da beleza e do rio Oxum) e Obaluaiê (divindade das doenças contagiosas).Mãe Meninha defendeu sempre a preservação dos locais onde eram realizados os cultos Afro-brasileiros, na época da escravidão, como o Engenho Velho ou a Casa Branca, o mais antigo terreiro da Bahia. Sem sair da sua cidade, devido a seus conhecimentos na região, sua fama se estendeu pelo País, sendo cantada em prosa e verso por seus filhos e filhas-de-santo, alguns deles famosos em todo o Brasil.

Em vida, Meninha dizia que nasceu escolhida para ser mãe-de-santo, e ao aceitar esta missão sabia que estava entrando numa vida de sacrifícios. De sua vida pessoal, sabe-se que foi casada e teve duas filhas. Faleceu aos 92 anos, depois de longa enfermidade, tendo chegado a permanecer 64 anos na chefia do Gantois e completar 74 anos de iniciação. “Menininha, Kan sun ni eró” (durma em calma).