Maria Brandão dos Reis

Rio das Contas é o nome da cidade mineira localizada na Chapada Diamantina, onde nasceu, em 22 de julho de 1900, Maria Brandão dos Reis, com um traço sob o último sobrenome, como queria. Mulher dinâmica, militante política das mais ativas, com a viuvez, influenciada pela passagem da Coluna Prestes e o interesse pelo Partido Comunista, transferiu residência para Salvador, onde estabeleceu uma pensão, situada na Baixada do Sapateiro, que foi também o seu reduto de militância. Mulher de visão, oferecia guarida a todos que necessitam de recursos para a sobrevivência imediata, além de livros e bolsas de estudos aos que queriam estudar, mesmo que professassem ideologia diversa.

Em março de 1947, apoiou as reivindicações das moradoras do bairro do Corta Braço, ameaçadas de perder suas habitações, organizando vigília noturna e passeata de protesto. Maria Brandão dos Reis teve destacada atuação na “Campanha da Paz”, organizada pelo PCB em 1950, tendo contribuído significativamente para a formação de Conselho da Paz em vários municípios. Obteve o prêmio de ” Campeã da Paz”, que lhe valeu o direito de ir a Moscou receber a Medalha da Paz. Isso, porém, não se deu porque foi preterida por um jovem intelectual, que ali se embriagou e caiu no Rio Volga. Maria Brandão jamais perdoou o Partido Comunista pelo desrespeito e indiferença , declarando: “Sou preta e ignorante, mas esse papelão eu não faria”.

Escapou da prisão, na revolução de 1964, refugiando-se em Brasília por “aconselhamento espiritual” de Rosinha (Rosa Luxemburgo). Em 1965, retornou á Bahia, onde foi interrogada pela polícia sobre seu envolvimento com os comunistas. Faleceu, em 1974, em Salvador onde ainda hoje vive sua filha Dasinha.