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Artigos | Destaque - 06/dez/2017

Status das mulheres no jornalismo brasileiro

Descrição da imagem - com Viviane Gomes

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O estudo “Status das mulheres no jornalismo brasileiro” mostra que nada menos que 70,4% das mulheres entrevistadas admitiram já terem recebido cantadas que as deixaram desconfortáveis no exercício da profissão. Além de relatarem sensações de incômodo, infelicidade no trabalho e estresse vivenciados no ambiente profissional como resultado do assédio de chefes e colegas, as jornalistas afirmam que a situação impacta diretamente a sua atividade – em especial quando provém das fontes.

Propostas de sexo, toques sem consentimento, perseguição, piadas de cunho sexual e comentários sobre o corpo são algumas das modalidades de assédio relatadas. O estudo revelou que 73% das entrevistadas já ouviram comentários ou piadas de natureza sexual sobre mulheres. Além disso, um número expressivo de jornalistas relatou que seus êxitos profissionais são frequentemente interpretados como resultado de barganha sexual com seus superiores hierárquicos.

Entre as 477 jornalistas entrevistadas, 86,4% disseram já ter passado por pelo menos uma situação de discriminação de gênero no trabalho – apenas 13,6% não assinalaram nenhuma experiência de discriminação. Dentre as situações listadas, aquela que foi apontada como mais comum foi a distribuição de tarefas no ambiente de trabalho conforme o gênero dos jornalistas, seguida por obtenção de promoção no emprego, oportunidade de trabalho, obtenção de aumento e, por fim, determinação de escalas de horário.

Ao mesmo tempo, 83,6% das jornalistas relataram já ter sofrido algum tipo de  violência psicológica no trabalho. As formas mais comuns são abuso de poder ou autoridade, intimidação verbal, escrita ou física e insultos verbais.

As mulheres são também expostas a situações de violência física no trabalho: 17,3% alegaram já ter sofrido algum tipo de agressão física no exercício da profissão. Na metade dos casos (52,8%) a agressão veio de um(a) desconhecido(a), mas foram identificados como agressores também superiores hierárquicos (18%), colegas de trabalho (15%) e fontes (14%). Em 90,3% dos casos o gênero do agressor era masculino.

Os resultados completos da pesquisa podem ser acessados em mulheresnojornalismo.org.br.

Gênero e Número

A Gênero e Número é uma organização de mídia com foco em questões de gênero  e em dados abertos. Fazemos jornalismo de dados e promovemos diálogos entre grupos da sociedade visando contribuir para a qualificação do debate sobre equidade de gênero.

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Por: Luciana Bento
Foto: Viviane Gomes