27/10/2026
Projeto Saúde das Mulheres Negras mobiliza territórios para transformar a saúde pública na Região Metropolitana do Rio de Janeiro
Iniciativa de Criola fortalece a atuação política das mulheres negras cis e trans, articula organizações e serviços de saúde e busca enfrentar o racismo institucional na Atenção Primária à Saúde. Conheça os números!
A transformação da saúde pública exige mais do que garantir o acesso aos serviços: é preciso enfrentar o racismo institucional, reconhecer as demandas das mulheres negras e assegurar sua participação nas decisões que orientam as políticas públicas. Neste 27 de outubro, Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra, relembramos que é a partir desse compromisso que Criola desenvolve o Projeto Saúde das Mulheres Negras, iniciativa em parceria com organizações da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, voltada ao fortalecimento do poder político das mulheres negras cis e trans e à promoção de mudanças sistêmicas na Atenção Primária à Saúde (APS).
Nesta região, cerca de 1,5 milhão de mulheres negras cis e trans, distribuídas por nove municípios, estão sujeitas a iniquidades no acesso à saúde. Parte dessas desigualdades está relacionada à ausência de acolhimento e de consideração de suas demandas nos serviços de Atenção Primária, porta de entrada preferencial do Sistema Único de Saúde (SUS).
Diante desse cenário, o projeto aposta na mobilização coletiva, na formação política e na articulação entre organizações da sociedade civil, lideranças comunitárias e serviços públicos de saúde para impulsionar mudanças nos territórios.
Mobilização de mulheres negras para transformar o SUS
O Projeto Saúde das Mulheres Negras atua em duas frentes estratégicas e complementares: a primeira, busca ampliar as ferramentas, conhecimentos e as habilidades necessários para que mulheres negras cis e trans possam apresentar suas demandas, participar dos espaços de decisão e liderar processos de transformação do sistema de saúde; a segunda frente é direcionada à promoção de mudanças na Atenção Primária à Saúde, fortalecendo a articulação entre programas, serviços e profissionais para garantir um atendimento que considere as necessidades das mulheres negras de forma integral.
Para isso, a iniciativa investe na incidência política, na construção de redes locais e no diálogo com autoridades e instituições públicas. O objetivo é aproximar as experiências vividas pelas mulheres negras nos territórios dos espaços em que as políticas públicas são formuladas, implementadas e monitoradas.
Os números de uma mobilização em curso
Os resultados do projeto demonstram a dimensão das ações de articulação, formação e incidência política realizadas. Ao longo de sua atuação, desenvolvida desde 2024, a iniciativa mobilizou parceiros, promoveu encontros com autoridades, fortaleceu a participação em conselhos e desenvolveu ações em parceria com Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Entre os principais resultados até o momento:
• 1.674 parceiros mobilizados, ampliando a articulação em torno da saúde das mulheres negras;
• 422 reuniões com autoridades, fortalecendo o diálogo e a incidência junto ao poder público;
• 243 participações em conselhos, ampliando a presença nos espaços de participação e controle social;
• 446 ações em parceria com Unidades Básicas de Saúde (UBS), aproximando a iniciativa dos serviços de saúde;
• 700 formações realizadas, contribuindo para o fortalecimento político e o compartilhamento de conhecimentos;
• 25.233 participações nas formações, evidenciando o alcance das atividades formativas;
• 902 atividades de mobilização da rede local, fortalecendo a organização nos territórios;
• 1.443 participações em reuniões de mobilização da rede local, ampliando as oportunidades de articulação e construção coletiva.
Mulheres negras no centro das decisões
Os números expressam a amplitude do trabalho desenvolvido. A transformação das políticas públicas depende da participação ativa das pessoas diretamente afetadas pelas desigualdades. Por isso, o projeto reconhece as mulheres negras como protagonistas na construção de soluções para os desafios enfrentados no SUS.
A luta por uma saúde pública de qualidade passa pelo enfrentamento do racismo institucional e pela construção de serviços capazes de acolher e atender integralmente as mulheres negras cis e trans. Como parte desse compromisso, Criola convida a sociedade a conhecer e fortalecer a campanha “O SUS que merecemos”, que reafirma a equidade racial como condição indispensável para a efetivação do direito à saúde.
Conheça a campanha e junte-se a essa luta!
A construção de um SUS mais justo e democrático exige compromisso institucional, participação social e ação coletiva. Fortalecer o protagonismo político das mulheres negras é fundamental para que seus direitos deixem de ser apenas garantias formais e se tornem realidade nos serviços de saúde.