06/10/2026
Criola convida: lançamento da Cartilha “Não fale por mulheres negras, fale com mulheres negras: uma abordagem jornalística para o enfrentamento ao racismo em pautas sobre violência racial e de gênero”
Publicação reúne reflexões e ferramentas para qualificar a cobertura da imprensa sobre violência racial e de gênero e fortalecer a participação de mulheres negras na construção de suas próprias narrativas.
No dia 08 de outubro, às 19h, Criola realiza o lançamento da cartilha “Não fale por mulheres negras, fale com mulheres negras: Uma abordagem jornalística antirracista para o enfrentamento à violência racial e de gênero”. O evento será realizado de forma virtual, com transmissão ao vivo pelo canal do Youtube de Criola.
A publicação integra o projeto Empoderando Mulheres Negras para o Enfrentamento à Violência Racial e de Gênero e parte de dois pontos fundamentais: primeiro, a necessidade de transformar a forma como mulheres negras são retratadas na mídia, muitas vezes de maneira degradante ou a partir de estereótipos racistas; segundo, mulheres negras precisam ser reconhecidas como sujeitas e porta-vozes de suas próprias histórias, e não apenas como personagens ou vítimas nas narrativas produzidas pela imprensa, especialmente quando o tema envolve uma violência racial e de gênero.
Criola compreende a comunicação como um campo estratégico de disputa por direitos, justiça e Bem Viver. Disputar narrativas significa também disputar poder, memória e a forma como diferentes experiências são reconhecidas pela sociedade.
Da escuta à produção da cartilha
A cartilha nasceu a partir de uma experiência de media training realizada pela ALTER Conteúdo, a pedido de Criola, com lideranças da Rede Empoderando Mulheres Negras. Durante a formação, as participantes compartilharam experiências e preocupações relacionadas à relação com a imprensa, entre elas o receio de serem mal interpretadas, a exposição indevida de suas histórias e o risco de revitimização.
A partir dessa escuta, o material identifica mecanismos de invisibilização, silenciamento, estereotipação e culpabilização presentes na cobertura sobre mulheres negras e apresenta ferramentas práticas para jornalistas e demais profissionais de comunicação. A proposta é incentivar uma mudança que começa antes mesmo da publicação da notícia: na escolha das fontes, na condução das entrevistas, na apuração, nos enquadramentos utilizados e na revisão das informações.
Sub-representação de mulheres negras na imprensa brasileira
A discussão é especialmente relevante diante do perfil ainda desigual das redações brasileiras. Essa desigualdade influencia não apenas quem ocupa os espaços de produção da notícia, mas também quais perspectivas são consideradas legítimas e quais histórias ganham visibilidade.
Quando mulheres negras aparecem predominantemente associadas à violência, à pobreza ou à condição de vítimas, suas experiências são reduzidas a estereótipos e outras dimensões de suas trajetórias deixam de ser reconhecidas. Ao mesmo tempo, a ausência de mulheres negras como fontes e especialistas contribui para limitar a diversidade de perspectivas presentes no debate público.
A cartilha propõe romper esse ciclo por meio de práticas jornalísticas baseadas na escuta, no respeito e no reconhecimento da autonomia das mulheres negras sobre suas próprias narrativas.
Violência racial e de gênero: um debate urgente
A necessidade de qualificar essa cobertura também está justificada pelos dados sobre violência no Brasil. O Atlas da Violência 2025, do Ipea, registrou mais de 35 mil homicídios de pessoas negras em 2023. Entre as mulheres vítimas de violência letal, mulheres pretas e pardas representaram 68,2% dos óbitos.
A forma como esses casos são narrados não é uma questão apenas de linguagem. A cobertura jornalística pode contribuir para ampliar a compreensão sobre as estruturas que produzem a violência ou, ao contrário, reproduzir estigmas, culpabilizar vítimas e reforçar desigualdades.
Por isso, a cartilha defende uma abordagem jornalística comprometida com os direitos humanos e com o enfrentamento ao racismo e às desigualdades de gênero.
Se você é jornalista ou um profissional da comunicação, venha construir conosco novas formas de falar com mulheres negras, e não por elas. O lançamento será realizado no dia 08 de outubro de 2026, às 19h, com transmissão ao vivo pelo canal do Youtube de Criola.