Por uma Atenção Básica com equidade

A Saúde das Mulheres Negras sempre foi pauta prioritária para Criola, desde a sua fundação. Seja a partir de seu papel histórico e ativo nas denúncias sobre a esterilização forçada de mulheres negras, seja na luta para incorporação da saúde das mulheres negras nas medidas da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), na estruturação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra ou nas constantes reivindicações que reafirmam que as iniquidades em saúde direcionadas a nós são atravessadas pelo racismo patriarcal cisheteronormativo. Criola compreende que este cenário exige uma transformação radical na maneira como o Sistema Único de Saúde recebe e trata as demandas de mulheres negras.

O Projeto Saúde das Mulheres Negras é mais um capítulo da atuação histórica de Criola em favor da saúde de mulheres negras. Ele surge para incidir sobre o seguinte problema: 1,5 milhões de mulheres negras, cis e trans, de 10 municípios da Região Metropolitana, incluindo a capital do Rio de Janeiro, estão sujeitas a iniquidades e desfechos indesejáveis no sistema de saúde pública; em parte, por não terem suas demandas acolhidas ou consideradas no nível da Atenção Primária. Enquanto a média de cobertura da Atenção Primária no país é de 77,2%, na região em questão, esse índice cai para 47,5%, demonstrando assim um ponto de deficiência evidente no sistema.

Iniciado em 2023, o projeto se realiza a partir da parceria entre Criola e 40 organizações e lideranças da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Nosso objetivo é fortalecer o poder político das mulheres negras para que elas influenciem a formulação, implementação e monitoramento das políticas públicas de saúde, garantindo a equidade, integralidade e universalidade da atenção em saúde para a redução dos desfechos indesejáveis em saúde e melhores condições de vida.

A atenção primária que queremos deve ser pautada em

  1. Disponibilidade: número suficiente de estabelecimentos, bens e serviços públicos de saúde e centros de saúde, bem como iniciativas e insumos;

  2. Acessibilidade: acesso a estabelecimentos, bens e serviços de saúde para todas as pessoas;

  3. Aceitabilidade: respeito às culturas individuais de grupos sociais, povos e comunidades, sensíveis às dimensões de gênero, identidade de gênero, raça/etnia, orientação sexual e ciclo de vida;

  4. Qualidade: estabelecimentos, equipamentos, bens e serviços de saúde com equipe com qualificação científica e técnica.

Nossas estratégias

Ampliar as ferramentas e habilidades para que mulheres negras agenciem suas próprias demandas no campo da saúde e liderem o percurso de mudança do Sistema de Saúde. Essa estratégia engloba:

  • Realizar formações nos territórios
  • Formar coalizões municipais e regionais

Impulsionar mudanças na Atenção Básica que sejam capazes de articular os diversos programas e serviços em prol da saúde integral das mulheres negras cis e trans. Essa estratégia engloba:

  • Constituir redes de apoio mútuo nos territórios
  • Construir mecanismos de intervenção intra e intersetorial nas unidades básicas
  • Estabelecer diálogo com a gestão municipal

O SUS que merecemos

O projeto amplia o debate público sobre a saúde das mulheres negras, partindo da certeza de que essa é uma agenda estratégica para enfrentar o racismo, avançar a democracia e justiça, fortalecer o SUS. Queremos:

  • Ampliar o agenciamento das demandas em saúde, criando soluções desde os territórios
  • Participar dos espaços de tomada de decisão e de implementação de políticas públicas
  • Tornar a saúde das mulheres negras prioridade pública
  • Agir em redes de apoio mútuo nos territórios
  • Enfrentar o racismo no sistema de saúde

Conheça os números dessa mobilização

  • Fortalecimento de lideranças

    Lideranças participantes
    42
    Lideranças em atuação
    28
  • Articulação e incidência política

    Parceiros mobilizados
    1.674
    Reuniões com autoridades
    422
    Participações em conselhos
    243
  • Atuação nos serviços de saúde

    Ações com Unidades Básicas de Saúde (UBS)
    446
  • Formação política e compartilhamento de conhecimentos

    Formações realizadas
    700
    Participações nas formações
    25.233
  • Mobilização e articulação territorial

    Atividades de mobilização da rede local
    902
    Participações em reuniões de mobilização da rede local
    1.443

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