22/12/2025

2ª Editatona de Criola leva a Marcha das Mulheres Negras para Wikipédia

No último dia 18 de novembro, mulheres negras de diversas regiões fortaleceram suas habilidades em edição colaborativa e produção de conhecimento livre na internet. Na segunda editatona de Criola, cerca de 28 mulheres e meninas negras do Brasil se reuniram para receber a formação em edição de artigos na Wikipédia, com o intuito de preencher lacunas existentes na plataforma acerca de personalidades, eventos, marcos e memória da população negra brasileira. 

Segundo Juliana Cunha, assistente de projetos do Wikimedia Brasil e facilitadora em ambas as editatonas de Criola, a Wikipédia – assim como outros espaços digitais – ainda reflete o racismo e o machismo existente fora da plataforma. “Se estivermos criando verbetes na Wikipédia sobre mulheres negras que são relevantes e possuem muitas referências na sociedade, ainda assim teremos de caprichar bastante na composição desses artigos, pois não é incomum que a notoriedade de mulheres negras seja questionada na plataforma, assim como não é incomum que isso ocorra em nossa vida cotidiana”, diz. 

A Wikipédia é a maior enciclopédia do mundo, em termos de volume: são mais de 66 milhões de verbetes em 300 idiomas, criados e aperfeiçoados constantemente por pessoas comuns. Em cada idioma, existe uma condecoração dada para artigos avaliados com maior qualidade, que ganham destaque na página principal da plataforma, conquistando a estrela dourada. Até hoje, nenhum artigo de mulheres negras dentro da comunidade lusófona da Wikipédia recebeu a estrela dourada.

Marcos das Editatonas de Criola

As maratonas de edição na Wikipédia realizadas por Criola aconteceram com o apoio do Wikimedia Brasil, no âmbito do “Projeto de Aprimoramento nas Habilidades no Uso de Novas Tecnologias para a Construção de meios para a Equidade Racial”.

A primeira edição aconteceu em agosto de 2024 e trouxe um importante marco para a luta antirracista em âmbito virtual: o evento inaugurou uma lista de verbetes sobre mulheres negras que ainda não estavam inseridas na Wikipédia. A lista criada – resultado do trabalho de nano influenciadoras selecionadas em chamadas de colaboração, e também dos esforços de pesquisadoras que levantaram informações sobre as personagens narradas em vídeos que podem ser acessados no canal Youtube da organização – tem servido subsídios para os exercícios em editatonas de outras organizações e iniciativas em todo o país.

A ideia é unir forças e aumentar a quantidade de informações qualificadas sobre mulheres negras na internet, enfrentar o racismo em ambiente digital, além de visibilizar suas histórias e trajetórias, combatendo a lacuna de gênero e raça na plataforma.

A 2ª Editatona e a Marcha das Mulheres Negras 2025

Sob o tema “Marcha das Mulheres Negras 2025”, a segunda edição buscou informar e engajar o público sobre a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, realizada em Brasília em 25 de novembro de 2025. A lista de verbetes que ainda não haviam sido inseridos na Wikipédia foi utilizada; além disso, importantes verbetes foram aperfeiçoados – como os de Lúcia Xavier, Dandara dos Palmares e Karol Conká, além do próprio verbete histórico da Marcha das Mulheres Negras.

Mulheres negras representantes de organizações da sociedade civil estiveram presentes: a Rede Empoderando Mulheres Negras de Palmas/TO, o CEERT – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, e o Instituto Casa Neon Cunha foram algumas das iniciativas que participaram.

Juntamente com a Marcha, a editatona reforçou que a presença de mulheres negras nos espaços de poder da sociedade é um passo fundamental no enfrentamento ao racismo patriarcal cisheteronormativo. Nesse tempo em que as discussões sociais se desdobram intensamente no espaço virtual, reproduzindo as violências raciais e de gênero que nos atingem na vida offline, dar visibilidade às contribuições de mulheres e meninas negras abala o status quo que as subjuga.

Junte-se à Criola em seus esforços de ampliar as vozes de mulheres negras! Conheça o “Negras na História” e envie você também uma história de uma mulher negra relevante em sua comunidade!

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