22/12/2025
Nossa caminhada em 2025: desafios, aprendizados e fortalecimento

Equipe de Criola e parceiras no Festival Mulheres Negras por Repação e Bem Viver | Foto: CRIOLA/Flávia Viana
Assim como nos últimos anos, 2025 trouxe muitos desafios para meninas e mulheres negras. A morte, violência, feminicídio, fome, emergências climáticas e o genocídio, pesaram sobre nós todo o tempo.
Nossa resposta a tantos desafios foi seguir em luta por políticas públicas, justiça, participação e organização de nossa mobilização. Por isso, organizamos e realizamos a segunda Marcha de Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, ocorrida em Brasília, em 25 de novembro.
A Marcha exaltou os esforços que realizamos cotidianamente para nos mantermos vivas; convocou aliadas e aliades para enfrentar o racismo patriarcal cisheteronormativo, e nos inspirou.
É com a força e inspiração da Marcha que nos despedimos de 2025 e iniciamos 2026, cheias da certeza de que seguiremos unidas pelo Bem Viver.
— Lúcia Xavier, Coordenadora Geral de Criola
Em mais um ano marcado por desafios e avanços, Criola esteve ao lado de meninas e mulheres negras na luta incansável por justiça. Veja nossos principais destaques!

A Rede Empoderando, que mobiliza lideranças negras nas cinco regiões do Brasil, promoveu o enfrentamento à violência racial e de gênero dialogando com lideranças locais e autoridades de governo.
Integramos o Fórum Permanente de Diálogos com o Sistema de Justiça sobre a Lei 11.340/2006 e acompanhamos de perto o lançamento das novas Diretrizes Nacionais para a tramitação de Medidas Protetivas de Urgência. Mobilizamos o debate público, organizamos e marcamos presença nos atos contra o feminicídio realizados em todo o Brasil, no mês de dezembro.

No âmbito da saúde, uma pauta que nos acompanha desde a nossa fundação, nossa articulação com lideranças da região metropolitana do Rio de Janeiro já mobilizou mais de 740 parceiros e impactou mais de 7500 mulheres negras que enfrentam dificuldade para acessar serviços de saúde. Já realizamos mais de 180 reuniões com autoridades e mais de 190 ações conjuntas com unidades Básicas de Saúde.
Ainda nesse ano, organizamos um seminário que discutiu, com a presença de autoridades e representantes locais, as graves questões enfrentadas por mulheres negras da Baixada Fluminense ao buscar serviços em saúde. Durante a atividade, lideranças parceiras do projeto Saúde das Mulheres Negras, apresentaram dados levantados em dois territórios de Nova Iguaçu.

Levamos uma comitiva com 15 lideranças para a COP30 — mulheres negras de que atuam por justiça climática e contra o racismo ambiental em diversas frentes. Preparamos e difundimos materiais que revelam nossas pautas urgentes, também construímos uma agenda conjunta e relevante, reforçando nosso papel fundamental para as discussões nesse campo.
Participamos ativamente da construção do Plano de Ação em Saúde de Belém, colaborando com o Relatório especial sobre Participação Social em Saúde e Clima. Esse é um marco importante para pautar e avançar discussões sobre a urgência considerar a saúde da população negra, especialmente a das mulheres negras, em planos de mitigação de danos adaptação climática.
Apontamos o avanço histórico no reconhecimento do racismo ambiental a partir da Declaração de Belém sobre o Combate ao Racismo Ambiental, endossada por 19 países e esperamos que o tema esteja no centro dos debates sobre o clima e impulsione políticas mais justas, inclusivas e transformadoras.

Mais uma vez, assistimos tentativas perversas de ataque aos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Repudiamos o PDL da Pedofilia, pautamos os direitos reprodutivos de meninas e mulheres negras no High Level Political Forum (HLPF) e produzimos dados qualificados sobre o aborto inseguro entre meninas e mulheres negras, que corroboram que precisamos de políticas focalizadas para nós, que somos principais vítimas da criminalização do aborto.

Defendemos a institucionalização de políticas antirracistas no sistema de justiça brasileiro com uma agenda de incidência com foco em órgãos estratégicos: Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e participação no Seminário do Formulário Nacional de Avaliação de Risco (FONAR), também do CNMP.
Lançamos a Coleção “O tratamento jurídico dos crimes de racismo no Brasil”, que analisa os casos de Luana Barbosa, Neusa dos Santos Nascimento e Gisele Ana Ferreira e Mães de Acari, graves violações de direitos humanos praticadas pelo Estado, dando continuidade à estratégia de produzir e divulgar conhecimentos sobre a violência racial e sobre os impactos da atuação do sistema de justiça contra as mulheres negras cis e trans.

Nossa incidência política nacional e internacional foi fortalecida pela nossa presença ativa nos espaços ONU, pelo diálogo com ministérios estratégicos em Brasília e pelos encontros em que marcamos presença em todo o território nacional defendendo pautas como saúde das mulheres negras, enfrentamento às violências e justiça climática.
Apoiamos o lançamento da Política Nacional para os Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro e de Matriz Africana, marcamos presença no Fórum Permanente de Afrodescendentes, na 69ª Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW), no Fórum Político de Alto Nível, na 89ª Assembleia Geral da ONU, entre outros espaços estratégicos de tomada de decisão.
Acompanhamos de perto as tramitações sobre a Política Nacional do Cuidado, reivindicando que ela tenha um viés de raça marcado e que oriente o país rumo a uma estrutura de cuidado com garantias dignas para meninas e mulheres negras.

Nossa Comunicação está a serviço das pautas prioritárias para meninas e mulheres negras!
Seguimos fortalecendo as discussões sobre comunicação, memória negra e tecnologia; relançamos a página Negras na História e levamos mais mulheres negras para o acervo da Wikipédia, enfrentando o racismo a partir do fortalecimento da presença de mulheres no espaço digital.
Em 2025, alcançamos mais de um milhão de pessoas nas redes sociais, organizamos eventos e encontros estratégicos, difundimos conhecimento a partir de diversas publicações e materiais informativos, e estivemos atentas, cobrindo as atualizações mais importantes para o nosso objetivo em comum: um futuro com justiça e Bem Viver.
Desejamos um ótimo fim de ano e que você continue caminhando conosco em 2026. Até logo!