06/03/2026
Aborto e justiça reprodutiva em foco: Criola promove formação para lideranças negras em saúde sobre a temática
Negra, mãe, pobre e sem antecedentes criminais. Esse é o perfil das mulheres que respondem a processo criminal pela prática de aborto conforme pesquisa realizada pela Diretoria de Pesquisa e acesso à Justiça da Defensoria Pública do Rio de Janeiro.
Os dados, que evidenciam como a criminalização do aborto no Brasil impacta de forma desproporcional meninas e mulheres negras — aprofundando desigualdades raciais, sociais e de gênero – foram um, dentre os muitos temas, trabalhados na atividade formativa “Mulheres Negras na luta por Justiça Reprodutiva”, realizada no 11/02, no Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro (CEDIM).
Com a formação, Criola buscou disseminar informações sobre a situação de atendimento aos casos de aborto no Brasil, com especial atenção ao Rio de Janeiro, além de aprofundar a compreensão sobre as barreiras enfrentadas por meninas e mulheres negras como expressão do racismo patriarcal cisheteronormativo.
A partir de dados qualificados e de uma metodologia participativa, a formação estimulou o pensamento crítico em interação com as profissionais de saúde, representantes da sociedade civil e lideranças parceiras de Criola no projeto Saúde das Mulheres Negras.

A atividade contou com dois painéis temáticos: “Panorama da Justiça Reprodutiva no estado do Rio de Janeiro: a qual saúde a mulher negra tem acesso?” e “Como viabilizar acolhimento oportuno e territorializado a mulheres negras vítimas da injustiça reprodutiva?”.
Sob a mediação de Lúcia Xavier (Coordenadora Geral de Criola) e Mônica Sacramento (Coordenadora Programática de Criola) os debates foram conduzidos pelas convidadas especialistas Rita Borret (Criola), Gabriela Rondon (Anis), Claudia Bonan (IFF/FIOCRUZ) e Pâmela Brito (CEDIM). Participaram também como debatedoras Aline Inglez (servidora pública, especialista em Políticas Públicas e Gestão), e Thaís dos Santos Lima (Defensora Pública do Rio de Janeiro).
Com as discussões, Criola reafirma seu compromisso inegociável com a luta por justiça sexual e reprodutiva, direitos fundamentais para que meninas e mulheres negras tenham autonomia, direito à saúde, dignidade e que não sejam criminalizadas pelas escolhas que fazem sobre seus próprios corpos.
Você pode acessar materiais e dados qualificados sobre aborto e justiça reprodutiva neste link. Mobilize-se pela garantia de direitos para meninas e mulheres negras!