26/02/2026

CRIOLA comenta condenação dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes em julgamento no STF

Para a organização, a sentença representa um marco histórico para a democracia brasileira

Oito anos após o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou, hoje (25), os acusados por ordenar e planejar o crime. Os irmãos Domingos Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, apontados como mandantes da execução, foram condenados a 76 anos e 3 meses de prisão; o major da Polícia Militar Ronald Alves, por monitorar os passos da vereadora, deverá cumprir 56 anos de reclusão; o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, acusado de ter atuado para obstruir as investigações, foi condenado a 18 anos de prisão; e o ex-assessor do TCE e ex-policial militar Robson Calixto, denunciado por fornecer a arma utilizada no crime, deve permanecer em cárcere por 9 anos. 

Para CRIOLA, organização de mulheres negras que há mais de 30 anos atua na defesa dos direitos das mulheres negras que acompanha o caso desde o início, a sentença fortalece a democracia brasileira, demonstrando que o sistema de justiça deve atuar para romper com a lógica da impunidade, para que envolvidos em casos de violência como esse sejam julgados e punidos. “Foi preciso esperar oito anos para que os familiares de  Marielle Franco e Anderson Gomes pudessem alcançar a justiça, com a condenação dos mandantes dos assassinatos. O crime atingiu indiretamente milhares de pessoas no Brasil e no mundo, especialmente às mulheres negras, que viram cair por terra a esperança de um mundo melhor, liderado por uma de nós, e que revelou as implicações das estruturas governamentais e políticas com o crime organizado.

A condenação dos mandantes do assassinato pelo STF nos permitiu ver uma luz no fim do túnel e trouxe um ar de esperança sobre a possibilidade de vivermos em um país verdadeiramente justo e democrático. Desvendou os olhos da Justiça, estátua que representa esse poder,  e deu a ela um novo corpo, coração e rosto: Marielle Franco”, comenta  Lúcia Xavier, coordenadora geral da organização. 

Este foi o segundo julgamento diretamente relacionado ao assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Em outubro de 2024, o Tribunal de Júri do Rio condenou os executores do crime: o ex-policial militar do Bope Ronnie Lessa, autor dos disparos, a 78 anos de prisão; e o ex-PM Élcio Queiroz, que dirigia o carro utilizado no atentado, a 59 anos de reclusão. Antes da condenação, ambos confessaram a autoria dos homicídios e firmaram um acordo de delação premiada com a Polícia Federal, o que impulsionou as investigações que levaram à identificação e denúncia dos mandantes do crime.

Reprodução: AFRO.TV

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