06/03/2026

Dia da Mulher: CRIOLA reforça luta por autonomia e Bem Viver das mulheres negras no Brasil

Em meio às celebrações pelo Dia Internacional da MulherCRIOLA destaca a importância de fortalecer a autonomia, o protagonismo e o bem viver das mulheres negras no Brasil, um dos grupos sociais que enfrenta, de maneira mais intensa, o racismo e o sexismo no país. Com mais de três décadas de atuação na defesa dos direitos humanos e sociais de mulheres negras, a organização reforça que essas lutas permanecem urgentes e fundamentais.

Fundada em 1992 no Rio de Janeiro, CRIOLA atua para instrumentalizar mulheres negras — jovens e adultas, cis e trans — no enfrentamento ao racismo patriarcal cisheteronormativo, promovendo ação política, formação de lideranças e articulação com redes e movimentos sociais em todo o país.

“Ser mulher negra é viver em constante vigilância, mas também é resistência”

Para Mônica Sacramento, pedagoga, doutora em Educação e coordenadora programática de CRIOLA, ser mulher negra no Brasil significa acordar todos os dias “e perceber-se em risco: por ser negra, por ser mulher, por circular pela cidade, por existir!”. Para ela, essa experiência de vulnerabilidade também exige “mobilizar diariamente a vigilância contra as violências” e cultivar “atenção, coragem e imaginação política” para transformar realidades.

Ao olhar para as estratégias adotadas pela organização, Mônica ressalta o foco na formação política e no fortalecimento das capacidades de atuação das mulheres negras em seus territórios e comunidades. “CRIOLA tem investido fortemente em processos de fortalecimento das capacidades e habilidades das mulheres negras para aprimorar a atuação política que já realizam”, explicou.

Questionada sobre o direito ao descanso, lazer e bem viver — historicamente negados a mulheres negras, muitas vezes vistas apenas como provedoras e cuidadoras — Mônica defende que o Brasil precisa reconhecer essa dívida histórica: “Esse reconhecimento precisa estar associado à ação concreta — em Políticas Públicas que assegurem condições dignas de vida em saúde, educação, trabalho e acesso à cultura e lazer.”

Ao projetar o futuro, ela reafirma que CRIOLA deseja consolidar direitos que permitam às próximas gerações de meninas negras sonhar e atuar em espaços ainda vedados à sua participação.

“Ser mulher negra é luta e resistência”, afirma associada Dona Zica

Dona Zica, associada de CRIOLA e referência histórica da luta pelos direitos das mulheres negras, tem uma trajetória marcada por décadas de engajamento político. Ao ser questionada sobre o que representa ser mulher negra no Brasil, ela resumiu: “Ser mulher negra significa luta, e resistência.”

Dona Zica, que esteve envolvida nos movimentos que deram origem ao Sindicato dos Trabalhadores Domésticos no Rio de Janeiro e participou de importantes frentes como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Partido dos Trabalhadores (PT), destacou os desafios de enfrentar os períodos políticos difíceis pelos quais o Brasil passou — e a importância de manter vivas as conquistas alcançadas.

“É importante que a geração de hoje lute para que as conquistas do passado sejam mantidas e aperfeiçoadas no momento presente”, afirmou, reforçando o valor do legado coletivo para as novas gerações.

Uma trajetória de luta com impacto social

Ao longo de mais de 30 anos, CRIOLA consolidou sua atuação em torno de temas como segurança de defensoras de direitos, justiça reprodutiva, liderança política, mercado de trabalho, educação e enfrentamento da violência contra mulheres negras, promovendo cursos, pesquisas, articulações políticas e publicações voltadas à ampliação de direitos e à igualdade racial.

Em um contexto social em que mulheres negras continuam enfrentando múltiplas formas de discriminação e exclusão, a organização defende que o reconhecimento dos desafios deve caminhar junto com a implementação de políticas públicas concretas que garantam acesso à saúde, educação, trabalho, segurança e espaço para o lazer e o bem viver de todas as mulheres.

Reprodução: AFRO.TV

0