23/01/2026
Justiça reprodutiva e direito ao aborto: Criola organiza grupo focal com comunicadoras para debater o tema
Atividade promove debate sobre justiça reprodutiva, aborto, racismo e violência institucional e propõe caminhos comunicacionais para ampliar direitos de meninas e mulheres negras
No último dia 19/01, Criola organizou um Grupo Focal de reflexão coletiva voltado ao aprofundamento do debate sobre justiça reprodutiva, aborto, estigma, racismo e violência institucional, com foco especial nos desafios comunicacionais que cercam esses temas no Brasil. A iniciativa reuniu, majoritariamente, mulheres negras atuantes em diversas esferas do campo da Comunicação. As participantes foram divididas em grupos de discussão, partindo de casos reais que evidenciam violações de direitos, invisibilidades e práticas institucionais que produzem sofrimento, revitimização e exclusão, especialmente entre meninas e mulheres negras que buscaram a interrupção da gravidez.
A metodologia adotada e conduzida pela pesquisadora Claudia Santamarina (Doutora em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social/UFRJ, mestra em Psicologia das Práticas Socioculturais/UERJ, graduada e licenciada em Psicologia/UGF) estimulou a escuta qualificada, a troca de experiências e a construção coletiva de análises críticas. Ao longo da atividade, foram trabalhados casos que envolvem recusa de aborto legal, quebra de sigilo, negligência em serviços de saúde, violência obstétrica, coerção religiosa, racismo institucional e criminalização de mulheres e pessoas que gestam.
Para as comunicadoras presentes, o desafio era propor abordagens possíveis de cobertura midiática para os casos, no sentido de ampliar o acesso à justiça e fortalecer os direitos das mulheres sobre seus corpos. O principal objetivo da atividade foi identificar vazios, silenciamentos e distorções nas narrativas públicas e midiáticas sobre aborto e direitos reprodutivos, bem como refletir sobre estratégias de comunicação capazes de enfrentar o estigma e fortalecer a defesa da dignidade e da autonomia das pessoas que gestam.
Os grupos se debruçaram sobre eixos centrais como:
- Justiça reprodutiva e autodeterminação, compreendendo o aborto como questão de direitos humanos;
- Racismo reprodutivo e os impactos desiguais da criminalização sobre mulheres negras, meninas e pessoas trans;
- Estigma, humilhação e punição moral nos serviços de saúde e no sistema de justiça;
- Violência institucional e comunicacional, incluindo exposição indevida, vazamentos de informação e narrativas culpabilizantes;
- O papel da mídia e da comunicação social na disputa de sentidos, na proteção das vítimas e na ampliação do acesso à informação qualificada.
Ampliar o debate sobre aborto, justiça reprodutiva e comunicação é fundamental para romper com narrativas moralizantes e punitivas que historicamente produzem silêncio, medo e morte. Os dados e relatos discutidos na atividade evidenciam que a criminalização e o estigma não impedem a prática do aborto, mas tornam o processo mais inseguro, desigual e letal – especialmente para mulheres negras, pobres, meninas e pessoas em situação de maior vulnerabilidade social.
Deixamos o nosso agradecimento especial às participantes: Camila Guedes – Instituto Marielle Franco; Carolina Wanderley – Alter Conteúdo; Gabriela Nascimento – Frente Nacional e Mulheres do Funk; Lola Ferreira – Observatório de Favelas; Marcele Ferraz – Alter Conteúdo; Nathália Braga – MEMOH; Renata Novaes; Thais Bernardes – Notícia Preta e Yasmin Bittencourt – Nem Presa Nem Morta.
Criola segue em diálogo com as lideranças e organizações comprometidas com a produção de conhecimento crítico, o fortalecimento de redes de solidariedade e a defesa dos direitos sexuais e reprodutivos como condição para uma sociedade mais justa, democrática e livre de violências.