Auta de Souza

Filha de uma próspera família, Auta de Souza (1876-1901) nasceu em Macaíba, Rio Grande do Norte. Seu pai era proprietário da firma Paula, Eloy & Cia. e dirigente local do Partido Liberal. Órfã de mãe aos 2 anos de idade e de pai aos 4 anos, foi criada pela avó.

Seu primeiro público, ainda menina, compunha-se de mulheres do povo e velhos escravos, para quem lia, entre outras coisas, as façanhas de Carlos Magno. Em 1887, foi estudar no Colégio São Vicente de Paula, dirigido por religiosas francesas. Ai aprendeu francês, leu os clássicos e os místicos. Devido à saúde frágil – já estava com tuberculose -, retornou à casa da avó, onde completou sua formação na biblioteca do irmão, Henrique Castriciano, poeta, jornalista e deputado federal pelo Rio Grande do Norte na República Velha.

Em 1894, fundou o clube do biscoito, que promovia reuniões de declamação, jogos e danças na casa de seus associados. Versejando em português e francês, Auta passou a colaborar na melhor imprensa do seu Estado, antes de completar 20 anos. Seu livro O Horto, publicado em 1901, prefaciado por Olavo Bilac, foi elogiado pela crítica e lido com avidez tanto por intelectuais como pelo povo, que passou a repetir muitos de seus versos sob a forma de cantigas.

Considerada por Otto Maria Carpeaux como a mais alta expressão do nosso misticismo, alguns versos da poetisa que morreu aos 25 anos de idade: “Estrela fulgem da noite em meio Lembrando Lírios loiros a arder… E eu tenho a treva dentro do seio…Astro! velai-vos, que eu vou morrer!”.