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Destaque | Notícias - 25/mar/2018

“O racismo nos mata e oferece a quem não abre mão dos privilégios dinheiro, boa vida, boa comida, água e terra”.

Descrição da imagem - com Criola Admin

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Lucia Xavier recebe homenagem por valorização e defesa dos Direitos Humanos

Na última sexta-feira, dia 23 de março, Lúcia Xavier, coordenadora geral de Criola foi uma das agraciadas na IV Homenagem Maria do Espírito Santo Silva Pela Valorização das Defensoras dos Direitos Humanos. Promovido pela Justiça Global, o evento aconteceu no Salão Nobre do Largo São Francisco de Paula do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS-UFRJ), no Centro do Rio.

Em sua fala, Lúcia lembrou da vereadora e ativista negra Marielle Franco, assassinada no último dia 14 deste mês. “Ela é presente em nossa vida porque ela é uma de nós. Por isso que resguardar sua memória, sua força e sua capacidade política é tão necessário”. Ela  frisou ainda que a luta pelos direitos humanos e por um mundo melhor é extremamente difícil porque ainda é vista por setores da sociedade como uma luta sem sentido.

Em nome de Criola, especialmente em nome de todas as mulheres negras, o agradecimento de Lúcia a esta homenagem vinda de uma organização de direitos humanos majoritariamente branca foi um convite à transformação. “Eu recebo este prêmio com o maior carinho, mas a maior homenagem que quero receber na vida é saber que cada um de vocês disse não a um privilégio, não a um bem-viver a custa desse sacrifício, porque o racismo nos mata e oferece a quem não abre mão dos privilégios dinheiro, boa vida, boa comida, água e terra. Vocês devem fazer esse trabalho e abrir mão dos privilégios”, disse.

Não faltaram exemplos para a plateia. “Quando vocês se recusam a assinar a carteira da empregada doméstica, a gente morre. Quando vocês não acreditam nas mães que perdem seus filhos, a gente morre. Quando vocês acreditam que as mulheres com muitos filhos devem ser esterilizadas, a gente morre”, completou.

A coordenadora de Criola explicou sua dor ao ouvir durante toda sua vida e militância cada mulher negra que se sentiu ofendida, que não pode enterrar um filho, que tem que lutar para viver e que não pode exercer a vida com a mesma plenitude que homens e mulheres brancos. “Teríamos todos, brancos e negros, uma vida melhor quando soubermos que vocês abriram mão de um privilégio em nome de uma mulher negra”.