30/07/2026

36 depois, Mães de Acari recebem certidões de óbito dos filhos em cerimônia no Cristo Redentor 

Familiares das vítimas do Caso Mães de Acari receberam, na segunda-feira (27), as certidões de óbito dos 11 jovens desaparecidos forçadamente em julho de 1990. A entrega dos documentos ocorreu durante uma cerimônia realizada no Santuário Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, marcando mais um passo no cumprimento das medidas de reparação determinadas ao Estado brasileiro pela Corte Interamericana de Direitos Humanos.  

O ato reuniu familiares, organizações de direitos humanos, representantes de instituições públicas e apoiadores da luta do movimento Mães de Acari, que há 36 anos denuncia o desaparecimento forçado dos jovens, a violência de Estado e a impunidade que atravessa a história do caso. A cerimônia também homenageou a trajetória das mulheres que transformaram o luto em luta por justiça, memória e garantia de não repetição das violações.  

Mais do que um documento, a emissão das certidões representa o reconhecimento oficial, ainda que tardio, da morte das vítimas e integra as medidas de reparação decorrentes da sentença histórica da Corte IDH, que responsabilizou o Estado brasileiro pelas violações cometidas no Caso Mães de Acari.

Entre as determinações da Corte estão o reconhecimento público da responsabilidade estatal, a continuidade das investigações, medidas de reparação às famílias e ações voltadas à preservação da memória e ao enfrentamento da violência institucional.  

Foto: Luiz Ribeiro

A luta continua 

Embora a entrega das certidões represente um avanço importante no processo de reparação, as famílias seguem reivindicando o cumprimento integral da sentença da Corte Interamericana. Isso inclui a continuidade das investigações, a responsabilização dos envolvidos, a implementação das demais medidas de reparação e a adoção de políticas públicas capazes de enfrentar as estruturas que perpetuam a violência contra a população negra. 

Para a Criola, o Caso Mães de Acari permanece como um marco da denúncia internacional sobre o racismo institucional e a violência de Estado no Brasil. A trajetória de luta do movimento reafirma que memória, justiça e reparação são compromissos permanentes da democracia e condições indispensáveis para que violações como essa nunca mais se repitam. 

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