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Destaque | Notícias - 24/abr/2021

4 meses sem respostas: Onde estão as crianças de Belford Roxo?

Uma série de perguntas sobre o desaparecimento das crianças de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, vêm ganhando as redes sociais nas últimas semanas, e todas giram em torno de uma questão: se Lucas Matheus, 8 anos, Alexandre da Silva, 10, e Fernando Henrique, 11, morassem em bairros nobres do Rio de Janeiro e fossem brancos, será que já teriam sido encontrados? 

No próximo dia 27, terça-feira, completam 120 dias desde que as três crianças sumiram após saírem para brincar próximo de onde moravam. As respostas são poucas e o silêncio por parte das autoridades marca a investigação. Por isso, no sábado (24/04), diversas organizações que lutam por justiça social, promoção de direitos, equidade de gênero e igualdade racial protocolaram novo ofício junto Gabinete do Governador do Estado do Rio de Janeiro, à Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense e ao Ministério Público do Rio de Janeiro, cobrando respostas para as seguintes perguntas centrais:

  • Qual a linha de investigação priorizada que desprezou a busca minuciosa nas imagens que a Delegacia de Homicídios da baixada estava de posse?
  •  Até agora, a polícia não conseguiu nenhuma pista dos meninos, em nenhuma busca?
  • Como as famílias estão sendo assistidas pelo Estado?

Ao contrário dos últimos casos envolvendo crianças, o caso gerou pouca repercussão e cobertura dos meios de comunicação. 

As famílias, os amigos e as mães, mulheres negras, vivem uma rotina dupla: busca por pistas e angústia, dada a falta de informações sobre o paradeiro dos três garotos. 

Segundo Tatiana da Conceição Ribeiro, mãe de Fernando Henrique, a resposta dos responsáveis pela investigação é sempre a mesma: não há pistas ou respostas sobre o paradeiro das crianças. “Está sendo muito difícil para mim e para as outras mães, porque é impossível que ninguém tenha visto as três crianças”, relata, completando que em nenhum momento foi procurada por autoridades policiais. 

A última notícia que ganhou repercussão foi a descoberta, no início de março, pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, de imagens de câmeras de segurança das crianças na região onde moravam. As gravações já haviam sido analisadas pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que investiga o caso, e nada havia sido visto anteriormente. Tatiana conta que a polícia nunca deu detalhes às famílias sobre o porquê dessas imagens não terem sido identificadas antes.

A pergunta que todos fazem é: se essas imagens fossem de crianças brancas no Leblon, os investigadores teriam enxergado os garotos? Apesar de crianças e adolescentes serem considerados prioridade absoluta pela Constituição Federal desde a implantação do Estatuto da Criança e do Adolescente, em 1990, esse direito parece ser assegurado apenas a alguns grupos de crianças.

Os ofícios encaminhados às autoridades foram assinados por Criola, Conectas Direitos Humanos, Instituto Defesa da População Negra, Iniciativa Direito a Memória e Justiça Racial, Justiça Global, Rede Rio Criança, Movimento Mães de Acari – Rio de Janeiro, Movimento Moleque, programa social Sim! Eu sou do meio, Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, Rede Nacional de Mães e Familiares de Vítimas de Terrrorismo do Estado, Rede de mães e familiares da Baixada Fluminense, Fórum Estadual de Mulheres Negras, Movimento Candelária Nunca Mais.

Entre tantas perguntas feitas, a resposta sobre onde estão as crianças continua, há quatro meses, uma incógnita para as mães das três crianças.
Lutaremos por Justiça! #OndeEstãoasCriançasdeBelfordRoxo

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