18/03/2026
Criola participa da primeira semana da CSW70 e reforça incidência por justiça e direitos das mulheres negras
Organização destaca articulação transnacional, defesa de direitos e incidência política para garantir acesso à justiça e políticas públicas eficientes para mulheres negras no Brasil
Criola completou sua primeira semana de participação na CSW70 — Comissão sobre a Situação da Mulher, da ONU — com uma agenda estratégica voltada à incidência política, articulação transnacional e ao fortalecimento de compromissos com os direitos de meninas e mulheres, especialmente mulheres negras. A CSW70 acontece em Nova Iorque, desde o dia 9 de março.
Realizada anualmente pela Organização das Nações Unidas, a CSW é o principal espaço global de formulação de políticas para a igualdade de gênero. Em 2026, a 70ª edição tem como tema prioritário o acesso à justiça para meninas e mulheres e como tema de revisão a participação das mulheres na vida pública e a eliminação da violência de gênero.
A comitiva de Criola é composta por Lúcia Xavier (Coordenadora Geral), Élida de Aquino (Coordenadora de Comunicação), Lia Manso (Consultora para Incidência Política), Patrícia Oliveira (Assistente de Coordenação e Incidência Política) e Fernanda Gomes (representante da Articulação Brasileira de Lésbicas, organização parceira).
Articulação transnacional e documento de Conclusões Acordadas
A semana teve início com a reunião do People of African Descent Stakeholder Group, grupo do qual Criola é co-diretora. O encontro foi fundamental para alinhar estratégias, compartilhar experiências e fortalecer a atuação coletiva de organizações negras no espaço internacional, reforçando o posicionamento divulgado anteriormente.
A participação nesse grupo reafirma o compromisso da organização com a construção de agendas globais que considerem o impacto do racismo estrutural e das desigualdades de gênero como fatores determinantes na falta acesso à justiça.
Além disso, a equipe acompanhou as negociações do documento final da CSW70, concentrado principalmente na segunda-feira, 9 de março. O texto foi concluído já no primeiro dia da conferência — uma estratégia para evitar retrocessos e preservar avanços históricos na linguagem e nas diretrizes internacionais sobre direitos das mulheres, conquistadas gradativamente ao longo dos últimos anos e inegociáveis.
Criola também participou de reunião com a delegação brasileira, organizada pelo Ministério das Mulheres, na qual foi discutido o balanço da aprovação do documento final. É fundamental que os compromissos firmados no âmbito internacional se traduzam em políticas públicas concretas no Brasil, com foco na garantia de direitos das mulheres negras.
Fortalecimento da incidência política e participação em eventos estratégicos
A equipe acompanhou debates de alto nível, incluindo discussões ministeriais com participação do governo brasileiro, reforçando a importância da presença da sociedade civil nos espaços de decisão – sobretudo, de organizações de mulheres negras.
Outros eventos paralelos estratégicos também fizeram parte da semana da comitiva, com destaque para:
- O encontro Black Women Shaping Afrofutures Forum 2026, na Columbia University. A atividade foi organizada por Fundo Agbara, CEERT, Kilomba e Benká Social Venture. No dia 11 de março, Lúcia Xavier, Coordenadora Geral de Criola, participou do painel “Bem Viver: Mulheres e Meninas Negras Construindo o Futuro”, ao lado de Davinia Gregory-Kameka (pesquisadora e professora de administração das artes no Teachers College, Columbia University) e Nyawira Wahito (líder feminista queniana que fortalece meninas e jovens em comunidades rurais);
- No evento “Escuta Radical: Raça, Gênero, Redução de Danos e Encarceramento”, organizado por Elas Existem, a parceira Fernanda Gomes – representante da Articulação Brasileira de Lésbicas junto à comitiva de Criola –apresentou sua pesquisa sobre o encarceramento de mulheres lésbicas e dados que evidenciam a invisibilidade de mulheres negras e lésbicas privadas de liberdade;
- No encontro promovido pelo governo brasileiro sobre a Política Nacional de Cuidados, em diálogo com organizações e representantes da sociedade civil, Criola apresentou contribuições centradas nas prioridades das mulheres negras;
- Encerrando a semana, Criola solicitou uma reunião bilateral com o governo brasileiro, a partir do Ministério das Mulheres, ampliando o convite para outras organizações da sociedade civil presentes na CSW70. A proposta de diálogo responde diretamente a um dos principais objetivos de participação da organização: transformar a incidência internacional em resultados concretos para o Brasil, especialmente na formulação e implementação de políticas públicas que impactem a vida de mulheres negras.
Fortalecimento de redes, comunicação e difusão de conhecimento
A agenda incluiu ainda o fortalecimento de parcerias, como o encontro com Joy James – filósofa política, acadêmica e autora negra dos Estados Unidos, referência nos estudos sobre raça, política e justiça, e parceira da organização no Curso da Diáspora, que segue com inscrições abertas para sua 20ª edição.
Criola segue em Nova Iorque para a segunda semana da CSW70, que se encerra em 19 de março, dando continuidade à sua atuação estratégica em defesa das mulheres negras, dos direitos humanos, acesso à justiça, equidade racial e de gênero.