21/08/2026

Caravana do Clima chega à Zona Oeste 

Iniciativa da Rede Mulheres Negras Construindo o Futuro com Justiça Climática promove formação, escuta e articulação política para enfrentar o racismo ambiental e fortalecer a articulação política nos territórios

Proteção da água, da saúde, da moradia, das áreas verdes e de ecossistemas fundamentais para a vida local, como a APA das Brisas, a APA do Morro do Silvério e a Baía de Sepetiba são elementos fundamentais para a Zona Oeste do Rio de Janeiro quando falamos em justiça climática.  

A região convive com conflitos socioambientais relacionados à especulação imobiliária, à fragilidade das políticas de proteção ambiental, à ausência de saneamento, à insegurança hídrica, à contaminação das águas e à pressão sobre áreas de mata, problemas que demonstram que os efeitos da crise climática não são distribuídos igualmente pela cidade. As desigualdades históricas e raciais se combinam à precariedade da infraestrutura urbana e à exposição a riscos ambientais, atingindo de maneira particular mulheres negras, comunidades tradicionais e lideranças que atuam na defesa do território. 

Pensando nisso, Santa Cruz foi o primeiro destino da Caravana do Clima, iniciativa da Rede Mulheres Negras Construindo o Futuro com Justiça Climática. Articulada por Criola, a ação busca fortalecer a atuação de mulheres negras cis e trans diante das emergências climáticas, conectando as violações e os impactos vividos nos territórios às agendas nacionais e internacionais de justiça climática. 

Realizada em 19 de agosto, a Caravana do Clima da Zona Oeste buscou fortalecer as respostas que já vêm sendo construídas pelas mulheres negras e pelas comunidades. A iniciativa abriu um espaço de formação, escuta, denúncia, intercâmbio e articulação territorial, valorizando experiências locais de resistência, cuidado, organização comunitária e defesa ambiental a partir das contribuições de diferentes atores.  

O evento contou com três mesas: 

Mesa 1: Mulheres negras, território e justiça climática: experiências, lutas e soluções construídas pelas lideranças da Rede Mulheres Negras e Justiça Climática, com Iya Katiuscia de Yemanjá (Terreiro Ova Labi), Iya Roberta Costa (Instituto Águas do Amanhã) Marcela Lopes (Casa de Axé Egregora de Maria) e mediação de Mônica Sacramento (Coordenadora Programática de Criola). 

Mesa 2: Justiça climática, racismo ambiental e ações locais: iniciativas em defesa do território, da vida e da permanência digna na Zona Oeste, com Yalaxe Luciana Carneiro (Instituto Terreiro Sustentável), Ingrid Nascimento (IPPÊ – Instituto para Periferias) e Thux Nascimento (Perifa Connection) e mediação de Iya Katiuscia de Yemanjá (Terreiro Ova Labi).  

Mesa 3: Justiça Climática em Perspectiva: Diálogo com instituições atuantes na agenda climática e entrega da Carta-Compromisso para o enfrentamento do racismo ambiental e o fortalecimento da justiça climática na Zona Oeste, com Brenda Fonseca (Fiocruz Mata Atlântica), Fabiana Silva (Ouvidora da Defensoria do Estado do Rio de Janeiro), Mãe Flávia Pinto (Gerência de povos tradicionais, CONAB). 

Da Zona Oste às agendas globais de justiça climática 

A Caravana também busca aproximar as experiências concretas da Zona Oeste das agendas nacionais e internacionais sobre clima, gênero, saúde, direitos humanos, participação social e financiamento climático. A perspectiva é disputar não apenas quais soluções serão adotadas diante da crise climática, mas também quem participa das decisões, quais territórios são considerados prioritários e quem consegue acessar recursos para construir respostas

Esse processo dialoga com o acúmulo construído por Criola no campo da justiça climática desde 2022, que inclui formações políticas, a elaboração e atualização da Agenda das Mulheres Negras Construindo o Futuro com Justiça Climática, a produção do Glossário da Justiça Climática e do Guia Mulheres Negras e Justiça Climática, além da incidência na COP30. 

Criola reconhece que a crise climática e o racismo ambiental assumem características distintas em cada território e, por isso, exigem respostas construídas a partir das experiências de quem vive e atua nessas regiões. O próximo destino da Caravana do Clima é a Baixada Fluminense, no mês de setembro.   

A partir desses encontros, a Rede pretende construir encaminhamentos para o diálogo com órgãos públicos, instituições parceiras e espaços de incidência, além de produzir registros que contribuam para o monitoramento de violações e para a circulação de informações sobre os impactos da crise climática nos territórios. 

Junte-se à Criola e à Caravana do Clima e fique por dentro das discussões sobre justiça climática! 

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