14/04/2026

Dia Mundial da Saúde: Criola e organizações parceiras na luta pela Saúde das Mulheres Negras  

“Determinantes Sociais da Saúde” (DSS): por que esse conceito é central para transformar o SUS?   

A Organização Mundial da Saúde define os determinantes sociais da saúde (DSS) como “as circunstâncias em que as pessoas nascem, crescem, trabalham, vivem e envelhecem, e o conjunto mais amplo de forças e sistemas que moldam as condições da vida diária”. Há também uma distinção entre determinantes sociais estruturais e intermediários. Os primeiros incluem o contexto socioeconômico e político no qual o poder e outros recursos são produzidos e distribuídos de forma desigual entre diferentes grupos sociais em relação à classe social, gênero e raça/etnia1.   

Em Criola, denominamos essa última estrutura de racismo patriarcal cisheteronormativo: um sistema complexo de combinação de opressões que fazem com que meninas e mulheres negras, cis e trans, experienciem a saúde de maneira muito particular. Neste quadro, alguns dados nos ajudam a compreender como essa experiência acontece na prática: mulheres negras são as maiores vítimas de mortalidade materna e violência obstétrica; são também as mais afetadas por doenças crônicas como hipertensão, diabetes tipo 2, anemia falciforme, glaucoma e formas mais agressivas de câncer de mama2.   

Dificuldade de acesso, desfechos negativos em saúde, negligência e preconceito são algumas das consequências dessa estrutura nos atendimentos do Sistema Único de Saúde, cujas principais usuárias são as mulheres negras. Enfrentar o racismo institucionalizado no SUS se tornou parte inseparável do ativismo de diversas organizações. Junto a uma rede de mulheres e lideranças de organizações da região metropolitana do Rio de Janeiro, Criola tem articulado formas de transformar o sistema de saúde a partir de formações, encontros estratégicos e ações de incidência lideradas pelas próprias mulheres em seus territórios, com destaque para os encontros de coalização. 

Os encontros de coalização são pensados e organizados pelas lideranças locais, com o suporte de Criola, e reúnem autoridades em saúde do município, agentes comunitários de saúde e lideranças atuantes no campo da saúde da população negra. Nestes encontros, são apresentados diagnósticos e dados sobre o quadro de saúde da população local, com especial atenção às mulheres negras. Lideranças e autoridades em saúde debatem, assim, estratégias de transformação da realidade local, bem como assumem compromissos voltados ao enfrentamento do racismo institucionalizado no sistema de saúde.  

Nova Iguaçu, Caxias, Belford Roxo e São João de Meriti, são alguns dos municípios que já realizaram seus encontros de coalização, fortalecendo espaços de diálogo entre a população, as lideranças e a gestão local em prol de tornar os espaços do Sistema Único de Saúde, em especial, a Atenção Primária, mais seguros e efetivos no tratamento das demandas das mulheres negras.  

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