Criola

Notícias - 14/mar/2020

Justiça para Marielle e Anderson!

Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados em 14 de março de 2018, na cidade do Rio de Janeiro e até hoje seus assassinos não foram julgados e nem sabemos quem foram os mandantes.

Todos os dias nos perguntamos quem mandou matar Marielle? E por quê?

O tratamento dado ao caso, não revela somente a prática diária de tantas mortes mal contadas e de tantas injustiças que afetam gravemente e principalmente mulheres negras e suas comunidades. Desvela um submundo do crime que está impregnado no poder público a perpetuar violências, violações e iniquidades.

Marielle Franco foi a quinta pessoa mais votada nas eleições de 2016 para a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Ela  foi também a terceira vereadora negra eleita na cidade desde de 1992. Mulher negra, favelada, bissexual, carregava consigo um corpo marcado por tantas violências e desigualdades, um corpo igualmente potente e de uma força avassaladora a movimentar o mundo pelo bem-viver.

Ela iniciou o seu mandato em 2017 disposta a pôr em prática os nossos direitos fruto de nossas lutas. Ela não abriu mão de nenhuma pauta que falasse de nós. Tratou da violência contra as mulheres e contra as favelas, do racismo e da violência contra as religiões de matriz africana, das LBTfobias, da injustiça e dor das mães que tiveram seus filhos assassinados pelo estado e muito mais.

Marielle cuidou da cidade e da sua população. Quis saber como as favelas e as regiões periféricas do Rio que já sofriam com a violência cotidiana da polícia, agora enfrentariam uma intervenção federal das forças armadas. Quis saber das crianças e jovens negros assassinados. Quis saber das mulheres trans. Quis saber de mim e de você que como cidadãs continuávamos a viver precariamente, enquanto a maior parte das riquezas ficavam nas mãos da elite branca.

Marielle nos fez reconhecidas em um ambiente hostil onde os nossos direitos são negados a todo tempo. Premiou, condecorou, debateu os nossos problemas e também buscou soluções.

Marielle pensou a favela como parte da cidade e, como tal, plena de vida, conflitos e  felicidades.

Marielle apoiou mulheres em situação de violência física, sexual, psicológica ou mesmo aquela que ocorre na hora do parto. Exigiu que tivéssemos atendimento digno nos serviços públicos de saúde e de segurança, e que não fossemos criminalizadas quando recorríamos ao aborto.

Sabe Mari, apesar da saudade seguimos esperançosas em alcançar justiça.

Justiça para Marielle e Anderson!