Keyse Valadares e Tia Maria
As crenças e saberes sagrados ancestrais são uma tradição histórica das comunidades quilombolas e amazônidas. A Keyse Valadares, estudante de Ciências Sociais, contadora de história e militante da juventude quilombola conta sobre os conhecimentos da ancestral Tia Maria.
Maria Valadares Caudis, conhecida como Tia Maria Jeca foi uma mulher quilombola amazônida, referência de cuidado, cura e proteção coletiva no Quilombo Xalá de Jacundaí, no território quilombola de Jamboaçu, Pará. Nascida em 13 de outubro de 1924, ela construiu sua trajetória a partir dos saberes ancestrais transmitidos pela oralidade, a relação profunda com a natureza e a espiritualidade, tornando-se parteira, benzedeira, puxadeira e curandeira a serviço de sua comunidade.
Seu trabalho foi essencial para a realização de partos, tratamentos com ervas, rezas, banhos e defumações. No espaço sagrado, conhecido como Sarah Eke, reunia pessoas da comunidade para o cuidado espiritual e físico reafirmando a pajelança como prática de resistência e ciência ancestral.
Ela deixou um legado que permanece vivo na memória coletiva em que enfatiza a importância de escutar os mais velhos, cuidar da terra e registrar as trajetórias das mulheres negras quilombolas, guardiãs fundamentais da vida, da memória e da continuidade dos povos tradicionais.
Confira mais detalhes desta história no vídeo abaixo do canal Youtube de Criola e acesse o conteúdo Glam na página de WikiCriola .
Vamos redefinir as trajetórias de mulheres negras de todo o Brasil !
“Eu acho que a gente deve escutar melhor os nossos mais velhos, cuidar dos nossos territórios, preservar a natureza, preservar esses saberes ancestrais, preservar a memória, tanto na escrita quanto na oralidade, pra que as próximas gerações escutem histórias e leiam histórias como a da tia Maria Jeca, histórias que são fundamentais pra preservação dos territórios.”
O projeto “Negras na História” é uma iniciativa da Ong Criola em parceria com a Fundação Wikimedia que visa fortalecer e ampliar a voz de mulheres negras cis e trans no campo das novas tecnologias e do conhecimento antirracista sob as licenças de Creative Commons.
Keyse Valadares / Reprodução pessoal


