Zeferina e Sara Sacramento
Líder quilombola, guerrilheira e sinônimo de resistência e liberdade.
De origem angolana, Zeferina chegou ao Brasil ainda criança trazida por sua mãe e juntas foram escravizadas. Não há registros da sua data de nascimento.
Sua vivência foi marcada pelos conhecimentos religiosos e as habilidades de liderança que aprendeu com sua mãe, Amália. Anos depois, torna-se fundadora e líder do Quilombo do Urubu em Salvador, na Bahia (região do atual bairro Pirajá) no século XIX. Neste espaço, semeavam o próprio alimento, praticavam rituais de Candomblé, cultivavam seus costumes e culturas originárias e realizavam operações para resgatar outros grupos de escravizados na região.
Zeferina liderou um grupo de 150 pessoas entre homens e mulheres que invadiu a cidade de Salvador em dezembro de 1826 e executou diversos fazendeiros, traficantes e militares munidos de instrumentos como facões, machados, lança, arco e flechas em defesa da liberdade da população negra.
Apenas ela, tinha esse poder de articulação entre o seu povo.
Mesmo diante de muita resistência, ela foi presa em Janeiro de 1827 e executada no Forte do Mar em Salvador. Uma mulher lutadora, persistente e articuladora.
A história de Zeferina nos ensina que somos mulheres sementes e que por detrás de mulheres negras, existem tantas outras que vieram antes de nós e abriram caminhos para as realizações das contemporâneas.
Saiba mais desta história contada por Sara Sacramento no vídeo abaixo do canal Youtube de Criola e acessando o conteúdo Glam na página de WikiCriola .
Vamos redefinir as trajetórias de mulheres negras de todo o Brasil !
“A luta é feita de forma comunitária e foi esse o legado que Zeferina nos deixou para vencer a luta.
Antes de tudo, é preciso aquilombar.”
O projeto “Negras na História” é uma iniciativa da Ong Criola em parceria com a Fundação Wikimedia que visa fortalecer e ampliar a voz de mulheres negras cis e trans no campo das novas tecnologias e do conhecimento antirracista sob as licenças de Creative Commons.
Zeferina // pintura do artista Dalton Paula para o MASP,2018


