Criola

Notícias - 20/mar/2020

Nota Coalizão Negra por Direitos sobre o Covid-19

Estamos às portas de uma grave crise, com o acelerado avanço do COVID-19, que vitimará grandes contingentes populacionais, desestruturará cadeias produtivas e mergulhará as economias num caos sem precedentes em todo o planeta.

O terror se estabelecerá com maior gravidade caso prevaleça a lógica da seletividade de quem vive e de quem morre a partir de critérios racistas, misóginos e LGBTfóbicos na atuação dos Estados Nacionais. O Coronavírus é uma oportunidade para as elites globais de implantação radical do genocídio. Abandonando as populações indesejáveis, aglomeradas em estruturas habitacionais degradadas nas periferias das grandes metrópoles, em benefício da classe média branca dos países do centro econômico e político.

No Brasil, as medidas até agora implementadas pelos governos não alcançam a maioria da população, sobretudo a população negra. Grupos sociais já vulneráveis devido às desigualdades raciais; sem água potável, alimentação, esgotamento sanitário, coleta de lixo adequada, em condições de trabalho precárias, serão os primeiros a morrerem.

Além do desemprego, o desamparo e a discriminação racial, esses grupos ocupam massivamente a base da pirâmide social brasileira, desde sempre, e são alvos de um genocídio que promove assassinatos ou abandona à morte. Estamos falando de uma população que também não tem acesso à saneamento básico, saúde, educação, moradia e emprego. O genocídio que afirmamos e denunciamos não se dá apenas através das mortes diretas, visivelmente presentes nos índices de homicídios que afetam desproporcionalmente negras e negros, expresso no dado estarrecedor de que a cada 23 minutos um jovem negro morre no Brasil. O genocídio se dá também na negação de condições e oportunidades, na negação de serviços públicos, como o de saúde, por exemplo, e que desgraçadamente agora, com o avanço do COVID-19, é percebido pelos que ignoram o problema. As propostas de contenção do avanço da pandemia apresentadas pelos governos são insuficientes.

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