Criola

Destaque | Notícias - 12/jun/2020

Pelo fim da morte materna no Brasil!

Hoje é Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna. Ao longo de 28 anos de atuação, Criola tem como um dos principais propósitos lutar pelos direitos, pelo amplo acesso à saúde e pelo fim da morte materna, que no Brasil afeta especialmente as mulheres negras.

A plataforma Alyne,  cujo nome é uma  homenagem à jovem Alyne Pimentel, morta em novembro de 2002, é um canal permanente de mobilização por meio de campanhas e também como maneira de denunciar o racismo, sobretudo no Sistema de Saúde.

O dia 28 de maio é bastante simbólico em nossa luta e, por isso, amplificamos em nossas redes sociais e na mídia. Siga nossos perfis, fortaleça nossa luta!

O que é a morte materna?

Todos os óbitos que ocorrem durante ou até 42 dias após o parto e com causa relacionada à gravidez entram neste índice. Em 92% dos casos são mortes que poderiam ser evitadas e as principais causas são:

  • Hipertensão (pré-eclâmpsia e eclâmpsia);
  • Hemorragias graves (principalmente após o parto);
  • Infecções (normalmente depois do parto);
  • Complicações no parto;
  • Abortos inseguros.

Dados da OPAS (2018-2019)

  • Todos os dias, aproximadamente 830 mulheres morrem por causas evitáveis relacionadas à gestação e ao parto no mundo.
  • 99% de todas as mortes maternas ocorrem em países em desenvolvimento.
  • A mortalidade materna é maior entre mulheres que vivem em áreas rurais e comunidades mais pobres.
  • Em comparação com outras mulheres, as jovens adolescentes enfrentam um maior risco de complicações e morte como resultado da gravidez.
  • Cuidados antes, durante e após o parto podem salvar a vida de mulheres e recém-nascidos.
  • Entre 1990 e 2015, a mortalidade materna no mundo caiu cerca de 44%.
  • Entre 2016 e 2030, como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a meta é reduzir a taxa global de mortalidade materna para menos de 70 por cada 100 mil nascidos vivos.

Novos riscos à saúde da mulher

Epidemias e pandemias diretamente ligadas a crises sanitárias são particularmente difíceis para quem sequer possui acesso à água para se higienizar conforme as recomendações. O acompanhamento à gestação deve ser contínuo, mas o que estamos assistindo é um cenário de incertezas com um sistema de saúde sobrecarregado.

De acordo com a ONU, mesmo antes da pandemia de COVID-19, cerca de 2,8 milhões de mulheres grávidas e recém-nascidos morriam a cada ano no mundo, ou 1 a cada 11 segundos, a maioria por causas evitáveis. Por isso, a Covid-19 precisa ser debatida do ponto de vista do impacto à vida das mulheres.

Como surgiram as datas?

Dia Internacional de Luta Pela Saúde da Mulher – O 4º Encontro Internacional Mulher e Saúde, que ocorreu na Holanda, em 1984, é considerado a origem da data. Três anos depois, na 5ª edição do evento na Costa Rica foi proposto que daquele momento em diante fosse escolhido um tema relacionado à saúde da mulher para ações políticas, a serem realizadas sempre no 28 de maio. Desde então, a data tornou-se referência para a reflexão internacional sobre saúde da mulher.

Dia Nacional de Luta Pela Redução da Mortalidade Materna – Em 1988 houve a Campanha de Prevenção da Mortalidade Materna, coordenada pela Rede Mundial de Mulheres pelos Direitos Reprodutivos e pela Rede de Saúde das Mulheres Latino-Americanas e Caribenhas, com envolvimento da Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos do Brasil. A partir dessa ação, o governo brasileiro determinou, por meio da Portaria 663/94 do Ministério da Saúde, que o dia fosse instituído como data nacional para redução da morte materna.